Revista Construção Magazine
A Evolução do Mercado das Instalações Domóticas - A Casa Inteligente
Introdução
A domótica é o resultado da integração da electrónica e
das tecnologias da informação na electrotecnia e a sua aplicação ao ambiente
doméstico. É uma palavra que deriva do francês “Domotique” resultado da junção
dos termos “Domus” (casa) e “Robotique” (robótica), significando algo como casa
automática ou casa robotizada, tão do agrado de certos autores francófonos
decerto admiradores, como eu próprio, da obra de Le Corbousier.
Assim não é de estranhar que, no inicio dos anos 90, seja a França o país Europeu onde a
implementação de instalações domóticas tenha tido mais sucesso.
Hoje em dia esse panorama modificou-se com natural supremacia da Alemanha e dos países
Escandinavos.
A toda esta realidade de franca expansão não é de estranhar as mudanças sociais e tecnológicas ocorridas nos anos 90,
como o surgimento dos telemóveis, do teletrabalho ou o crescente envelhecimento
das populações entre muitos outros.
Definição Ao ser a domótica o resultado da aplicação simultânea da electrotecnia,
da electrónica e das tecnologias da informação na gestão de espaços residenciais,
não é mais que a integradora de quatro vectores fundamentais, que têm obrigatoriamente
de estar presentes em toda e qualquer instalação domótica, a saber:
- - Segurança, com a detecção de intrusão, de fugas
de gás, de fugas de água e de incêndio e outras aplicações como a simulação de
presença e a consequente protecção de pessoas e bens;
- - Conforto, com o controlo dos aparelhos de climatização, programações horárias,
cenários de iluminação, avisos telefónicos dos alarmes, alarmes médicos e outros;
- - Gestão de energia, com o controlo dos electrodomésticos, da climatização,
da iluminação e regulação da temperatura;
- - Comunicações, com o controlo da instalação domótica a poder
ser feito remotamente por telefone fixo ou móvel e PC, usando ou não a internet,
permitindo aquilo que os norte-americanos identificam como o principal “driver”
das instalações domóticas que são os 3 A’s (“anything, anytime, anywhere”), ou
seja que é possível controlar tudo, a qualquer hora e de qualquer lugar.
Se uma
instalação não contempla a totalidade destes requisitos, sem excepção, ou se
pelo menos não pode evoluir para eles usufruindo de uma pré-instalação, então
será tudo menos uma instalação domótica.
Mercado
A década de 90 será recordada pelo grande boom da construção com o número de licenciamentos camarários a
chegar a recordes absolutos. Isto, longe de ajudar á implantação da domótica,
que de à muito está madura e apresentando uma oferta variada e acessível (mais á
frente irei quantificar o acessível), provocou o seu afastamento do mercado
imobiliário pois praticamente todas as casas estavam vendidas ainda antes de
começar a construção, o que contrariava todas e quaisquer vontades que
porventura existissem por parte dos promotores imobiliários em incluir novos
acabamentos, produtos ou sistemas, entre os quais a domótica, nas suas
promoções. A culpa não é unicamente dos promotores imobiliários pois a verdade é
que os compradores das casas também nada exigiam comprando cegamente toda e
qualquer casa, mesmo desconhecendo os respectivos mapas de acabamentos.
Neste último ano o sector imobiliário já se está a aperceber de que a domótica será o
próximo factor diferenciador e que o boom da construção pertence definitivamente
ao passado. Isto faz com que o mercado se torne cada vez mais receptivo e que o
número de instalações tende a aumentar rapidamente.
Actualidade
Um estudo recente publicado em Espanha revelou que 54% dos inquiridos estaria disposto a
adquirir ou alugar uma casa inteligente, sendo que neste caso, inteligente
significa possuir uma componente tecnológica elevada traduzida em uma instalação
domótica e numa ligação permanente á internet por modem ADSL ou Cabo com pontos
de acesso em todas as divisões.
Este tipo de conceitos são também designados por casas internet e estão longe de poder
ser considerados casas inteligentes pois apenas estão baseados na vertente tecnológica,
não concedendo importância semelhante ás outras duas vertentes – design e ecologia –
e sem promoverem os conceitos base de uma casa inteligente, a qual tem de ser evolutiva,
flexível e adaptável.
No entanto estes 54% só estariam dispostos a realizar esta opção se o
custo final não viesse a ser incrementado mais de 1%. Isto pode dar uma ideia
clara do custo de um sistema domótico cujo valor não deverá ser superior a 1.500
Euros. Este é um valor com uma ordem de grandeza perfeitamente acessível e
segundo 78% dos inquiridos irá valorizar o produto imobiliário onde está
inserido, sendo que 28% considera que esse incremento na valorização será
superior a 10%. Seria curioso saber os resultados se um inquérito semelhante
fosse realizado no nosso país. Enquanto tal não acontece vou tentar demonstrar o
que deveria ser a realidade actual em termos residenciais.
A Casa Inteligente
Uma casa inteligente é um espaço residencial ecológico e evoluído em termos de
design, com uma implantação de soluções integradas baseadas nas tecnologias da
informação, que pode oferecer uma infraestrutura tecnológica avançada que
permite a quem nele habita usufruir de uma vasta gama de aplicações e serviços
tais como segurança, gestão de energia, conforto, automação de tarefas
domésticas, “infotainment”, teletrabalho, teleassistência sócio-sanitária,
operação e manutenção local e remota da instalação, entre muitos outros já
disponíveis ou a disponibilizar no futuro a partir dos avanços tecnológicos e de
estilo de vida originados por factores emergentes, como por exemplo a internet,
o UMTS e a TV Digital.
Publicado na Revista Construção Magazine, n.º 3, 3º trimestre 2002