Sistemas de instalações inteligentes

A caminho da harmonização

Até há cerca de uma década atrás, os fabricantes de material eléctrico colocavam no mercado produtos e componentes inteligentes que obedeciam a um standard próprio, designado por proprietário, produtos esses baseados essencialmente em sistemas de controlo e comando de iluminação, aquecimento, ventilação e ar condicionado, na gestão de energia e em alarmes técnicos. Esta situação acabou por provocar alguma inércia no mercado, razão pela qual actualmente os fabricantes se empenham na elaboração de um standard único no sentido de compatibilizar os produtos das diversas empresas.

Numa fase inicial, os componentes inteligentes, pelo facto de obedecerem apenas ao standard da empresa fabricante, não eram compatíveis com sistemas de outras empresas, o que criava dificuldades e gerava desconfiança entre os utilizadores obrigados, a partir do momento em que adquiriam um determinado sistema, a ficarem dependentes da empresa responsável pela sua comercialização, pois nenhuma outra dominava aquele standard.
Os fabricantes começaram, a partir do início dos anos 90, a desenvolver produtos baseados num standard comum. Actualmente, subsistem muitos produtos correspondentes a standards do tipo proprietário, os quais ou satisfazem exigências especiais do mercado ou então correspondem a sistemas já devidamente amadurecidos. Mas, o facto é que o conceito de standardização está a impôr-se, fruto de uma tecnologia evoluída e de um número crescente de instalações realizadas.
Tendo em consideração o que atrás foi expresso, podemos dividir o mercado em três faixas: os fabricantes de grandes sistemas para a gestão técnica de edifícios (gestão dos equipamentos de ar condicionado, chillers, etc.), cujos sistemas são do tipo proprietário; os fabricantes de sistemas de bus, vocacionados, sobretudo, para edifícios de escritórios e que irão evoluir, tendencialmente, para aplicações que anteriormente só eram asseguradas pelos sistemas de grande porte, abrangendo uma faixa de mercado cada vez mais alargada; e os pequenos fabricantes acima referidos que produzem módulos e sistemas domóticos, sendo este segmento particularmente expessivo nos E.U.A., França e Alemanha.

Americanos vs Europeus

Enquadrando-se no processo de standardização, os fabricantes norte-americanos optaram por desenvolver dois standards. O primeiro, “norma” X-10, é baseado nos componentes domóticos há muito utilizados, relacionados essencialmente com a gestão da segurança e comandos simples de iluminação e vocacionado sobretudo para o sector residencial. O segundo, este já baseado numa técnica de bus, é o LONWORKS, destinado à área industrial e ao terciário e que tenta, actualmente, penetrar no mercado europeu.
No entanto, a implementação dos standards americanos no mercado europeu está dificultada, uma vez que se exige a todos os equipamentos eléctricos comercializados e distribuídos no mercado europeu a norma de compatibilidade europeia conhecida pela sigla CE, bem como a certificação pelas normas ISO 9000.
No entanto, os fabricantes europeus implementaram, por seu lado, os seus próprios processos de standardização. Um dos sistemas, elaborado por empresas dedicadas à iluminação é o EHS (European Home Systems), ainda em fase de estudos tendo, por enquanto, reduzida aplicação e sendo sobretudo vocacionado para o mercado residencial. Um outro sistema desenvolvido na Europa é o BATIBUS, mas a maioria dos fabricantes de material eléctrico aderiram ao EIB (European Installation Bus) sendo este, portanto, o mais utilizado a nível europeu.
A implementação deste standard oferece a integração necessária ao projecto, já que permite instalar componentes de várias empresas, possibilitando ao cliente escolher de acordo com as suas necessidades ou substituir posteriormente componentes que demonstrem ser desadequados.
O EIB apresenta-se como a real alternativa ao sistema norte-americano LONWORKS. Para que a sua implementação no mercado seja mais efectiva é necessário alargar o seu espectro de aplicações, seja com a adição de novos produtos ou com novas empresas aderentes.
Por outro lado, é fundamental que este seja um sistema aberto a fim de poder elaborar o máximo de protocolos com outros sistemas.
Por fim, torna-se essencial divulgar o sistema junto dos instaladores e projectistas, familiarizando os técnicos com esta aplicação.

O papel da EIBA

Importa salientar o papel da EIBA no que respeita a esta mobilização. A EIBA (European Installation Bus Association), sediada em Bruxelas, surgiu pela necessidade de apoiar o desenvolvimento do EIB e conceder certificação aos produtos desenvolvidos segundo as suas normas. A EIBA é igualmente responsável pelo desenvolvimento do software de base, o ETS (EIB Tool Software), o qual é disponibilizado pela associação a todos os profissionais que o queiram utilizar.
Como membros da EIBA estão envolvidos cerca de uma centena dos maiores fabricantes europeus, constituindo o EIB o standard escolhido pelos produtores de 80% da aparelhagem elétrica de instalação na Europa.
A EIBA possui associações nacionais em doze países europeus e espera-se para este ano a criação da EIBA Portugal.
De entre os objectivos desta associações destacam-se: a apresentação do EIB nas universidades, institutos politécnicos e institutos de formação profissional ligados ao ramo da electrotecnia, a fim de familiarizar os estudantes com os sistemas de instalações inteligentes mais actuais; tradução de documentação, nomeadamente do manual técnico de aplicação do EIB e, posteriormente, a tradução do próprio ETS para a língua do país, assim como comunicação e divulgação diversas em feiras e nos mais diversos certames ligados ao sector de electrotecnia e da tecnologia das instalações eléctricas.

Sistemas de instalações inteligentes

Pode dizer-se que a grande diferença entre sistemas inteligentes e domótica reside na dimensão e tipo de instalação dos sistemas. Se a aplicação é feita no sector residencial, trata-se em geral de domótica, dado que podemos definir domótica como automação de habitações. Se a aplicação é destinada a gerir a integração dos sistemas técnicos em grandes edifícios de serviços como, por exemplo, a iluminação, a climatização e o ar condicionado, referimo-nos aos sistemas inteligentes. Por outro lado, enquanto a domótica se resume a pequenos módulos e aplicações cuja finalidade é tornar a habitação mais confortável, os sistemas de instalação inteligentes (SII), como o EIB, pressupõem um novo conceito de instalação eléctrica.
Estes sistemas inteligentes tendem, a integrar cada vez mais funções, a um nível cada vez mais sofisticado, abrangendo deste modo uma faixa de mercado cada vez maior.
Assim, o ano passado, no CEBIT HOME 96, em Hannover, surgiu uma aplicação do EIB, o Home Electronic Systems, para o sector residencial. Este sistema permite, a partir do EIB e de PC, controlar directamente aparelhagens, televisões, máquinas de lavar, esquentadores, fechaduras, iluminação, climatização, entre outros equipamentos e sistemas.
Uma outra novidade apresentada na Hannover Messe prevê que o EIB possa, a partir deste ano dispensar o cabo BUS, funcionando através da rede eléctrica, tornando mais prática a aplicação deste sistema em edifícios já construídos, onde a passagem do cabo de BUS pode ser mais complexa do que alterar a instalação. Obviamente que em edifícios novos o mais fácil é a instalação do cabo de BUS.
De forma resumida, estas aplicações têm como objectivos: rentabilizar a instalação; diminuir o custo de energia; diminuir custos operacionais; diminuir a carga térmica dos edifícios minimizando, consequentemente, o risco de incêndio; acelerar e facilitar a instalação; oferecer a máxima flexibilidade em termos de manutenção, monitorização e ampliação futura.
Tudo isto são os sistemas de instalações inteligentes, que representam o maior passo em frente, desde há muitos anos, realizado no sector da tecnologia das instalações eléctricas: a integração de produtos e sistemas e a progressiva subsituição de hardware por software.

Revista Arte&Construção
Janeiro 1997