Revista "O Electricista"
Sistemas, Protocolos e Tecnologias
No seguimento dos artigos anteriormente publicados irei apresentar os sistemas, protocolos e tecnologias mais utilizados em Portugal e na Europa, na actualidade.
Em primeiro lugar é fundamental distinguir sistemas e protocolos de comunicação.
Os protocolos de comunicação são a linguagem que permite que os diversos elementos de um sistema domótico (sensores e actuadores) comuniquem entre si e que se entendam. Como exemplos de protocolos de comunicação temos o X-10 (o mais antigo e usado no mundo inteiro), o EIB, o Batibus, o EHS e o Lonworks. Todos estes protocolos de comunicação constituem-se em verdadeiros standards, normalmente são geridos por uma instituição ou associação, criada especialmente para o efeito,
como é o caso da EIBA (European Installation Bus Association) em tudo o que diz respeito ao protocolo EIB, da EHSA (European Home Systems Association) que gere tudo o que diz respeito ao protocolo EHS, do BCI (Batibus Club International) que responde por tudo que se refere ao protocolo Batibus ou pela Associação de Fabricantes Lonmark que realiza o mesmo em relação ao protocolo Lonworks.
Todas estas instituições, em maior ou menor grau são responsáveis pela publicação das especificações e recomendações que acompanham os respectivos protocolos de comunicação, garantindo deste modo a qualidade dos mesmos e estimulando o aparecimento de empresas que desenhem e concebam os seus sistemas baseados nos seus respectivos protocolos.
O facto de termos protocolos de comunicação standardizados não significa que todas as empresas que estão no mercado tenham os seus sistemas domóticos baseados nestes protocolos. Algumas empresas, por razões estratégicas, económicas ou simplesmente de mercado resolveram desenvolver os seus sistemas baseados em protocolos de comunicação próprios, os designados sistemas proprietários.
Do mesmo modo não se pode dizer que pelo facto de um sistema estar baseado num protocolo de comunicação standard, ele ser necessariamente um sistema aberto no qual se podem usar indistintamente produtos de vários fabricantes. A realidade diz-nos exactamente o contrário e praticamente todos os sistemas existentes no mercado são proprietários,
tanto os que possuem protocolos de comunicação próprios (Simon Vis, Lutron, Vivimat +) como os que se baseiam em protocolos de comunicação standard (Amigo, Biodom, Maior - Domo, Tebis TS, Domolon, Delta - Dore, Dialogo,...).
Sistemas abertos que permitem que os seus produtos, com origem nos variados fabricantes, sejam colocados numa mesma instalação e possam comunicar entre si sem quaisquer restrições só os baseados no protocolo de comunicação EIB, no qual todos os produtos que levem a respectiva marca, atribuída pela EIBA ao fabricante, coexistem sem restrições. Estes sistemas são designados comercialmente por Tebis (Fabricante: Hager), Instabus (Fabricantes: Siemens, Gira, Merten) e ABB i-bus (Fabricante: ABB), entre outros.
X-10
www.x-10europe.com
O X-10 é o protocolo mais antigo usados nas aplicações domóticas. Foi desenvolvido entre 1976 e 1978 com o objectivo de transmitir dados por linhas de baixa tensão (110V nos EUA e 230V na Europa) a muito baixa velocidade (60 bps no EUA e 50 bps na Europa) e com custos muito baixos. Ao usar as linhas eléctricas da habitação, não se torna necessário ter novos cabos para ligar os dispositivos.
O protocolo X-10 em si, não é proprietário, ou seja, qualquer fabricante pode produzir dispositivos X-10 e oferecê-los ao público. Assim sendo, e ao contrário do que sucede com a firma Echelon Corporation e o seu NeuronChip que implementa o Lonworks e que tem uma filosofia muito aproximada (mais nada é aproximado!), os circuitos integrados que implementam o X-10 têm uns royaltys muito baixos.
Graças ao seu amadurecimento (mais de 20 anos no mercado) e à tecnologia implementada, os produtos X-10 têm um preço muito competitivo sendo líderes no mercado residencial Norte-Americano com as instalações a serem realizadas por electricistas sem conhecimentos de automação ou informática ou até pelos próprios utilizadores. Saliento que nos Estados Unidos da América e no Canadá um dos maiores veículos para a distribuição destes produtos são as grandes superfícies e os armazéns de bricolage.
O X-10 é de momento a tecnologia mais acessível para a realização de uma instalação domótica não muito complexa. Vai ser interessante ver como os produtos E-mode (Easy mode) do protocolo KONNEX vão concorrer em facilidade de utilização, prestações e preço com o X-10 no mercado Europeu. Se vencerem terão todas as condições para serem os líderes a nível Mundial, em poucos anos.
Meio Físico
O protocolo X-10 usa uma modulação muito simples quando comparado com as que são usadas noutros protocolos de controlo por correntes portadoras. O Transmissor/Receptor do X-10 está dependente do ciclo da onda sinosoidal de 50hz (60hz nos EUA) para introduzir um instante depois desta cruzar o zero um sinal muito curta numa frequência fixa.
Pode introduzir-se este sinal nos ciclos positivo ou negativo da onda sinosoidal. A codificação de um bit 1 ou de um bit 0, depende de como este sinal é emitido nos semiciclos. O 1 binário é representado por um impulso de 120 kHz durante 1 milisegundo e o 0 binário é representado pela ausência desse impulso de 120 kHz. Num sistema trifásico o impulso de 1 milisegundo é transmitido três vezes para que coincida com a passagem pelo zero das três fases.
Como tal, o tempo de 1 bit coincide com os 20msg que dura o ciclo do sinal, de forma a que a velocidade binária de 50 bps é imposta pela frequência da rede eléctrica que temos na Europa. Nos Estados Unidos a velocidade binária é 60 bps.
A transmissão completa de uma telegrama X-10 necessita de onze ciclos de corrente. A trama divide-se em três campos de informação:
- Dois ciclos representam o Código de Início
- Quatro ciclos representam o Código de Casa (letras de A-Z)
- Cinco ciclos representam o Código Numérico (1-16) ou o Código de Função (acender a luz, apagar a luz, variar a luz, etc...).
Para aumentar a fiabilidade do sistema, esta trama, (Código de Inicio, Código de Casa e Código de função ou numérico) transmite sempre duas vezes, separadas por três ciclos completos de corrente. Há uma excepção, nas funções de variação de intensidade é transmitido de forma contínua (pelo menos duas vezes) sem separação entre tramas.
Protocolo
Existem três tipos de dispositivos X-10: os que só podem transmitir ordens, os que só as podem receber e os que as podem receber e enviar.
Os transmissores podem direccionar até 256 receptores. Os receptores vêm dotados de dois pequenos comutadores giratórios, um com 16 letras e o outro com 16 números, que permitem identificar uma direcção das 256 possíveis. Numa mesma instalação pode haver vários receptores configurados com a mesma direcção, todos realizam a função pré-designada, desde que um transmissor envie um telegrama com esta direcção. Evidentemente qualquer receptor pode receber ordens de diferentes transmissores.
Os dispositivos bidireccionais, têm a capacidade de responder e confirmar a realização correcta de uma ordem (feed-back), a qual pode ser muito útil quando o sistema X-10 estiver ligado a um programa de visualização que mostre os estados em que se encontra a instalação.
X-10 na Europa
Quem sabe se algum de nós será tentado a comprar alguns dos dispositivos X-10 que aparecem em múltiplos catálogos e inúmeras lojas on-line que existem nos EUA (a verdade é que têm uns preços muito competitivos)! Infelizmente tenho a obrigação de avisar que, a não ser que esteja especificado no catálogo, estes dispositivos nunca poderão funcionar numa casa que tenha um fornecimento de energia a 230V/50Hz (é o que existe em Portugal e em toda a Europa).
Se alguém estiver interessado em conseguir produtos X-10 compatíveis com a rede eléctrica Portuguesa, recomendamos que visite o catálogo da página oficial X-10 na Europa e que contacte directamente com os distribuidores oficiais dos produtos X-10.
Esses distribuidores poderão informar ou aconselhar qual será a melhor opção para as necessidades do utilizador e poderão mesmo ensinar a instalar e configurar os dispositivos X-10.
EIB (European Installation Bus)
www.eiba.com
O EIB é um protocolo de comunicação desenvolvido por um conjunto de empresas líderes no Mercado Europeu do material eléctrico com o objectivo declarado de criar um sistema que constitua uma barreira ás importações de produtos e sistemas semelhantes que estavam e estão sendo produzidos nos mercados Japonês e dos Estados Unidos da América onde estas tecnologias possuem, melhor dizendo possuíam, um grau de maturidade superior ao produzido na Europa.
O objectivo era criar um standard Europeu que permita a comunicação entre todos os dispositivos de uma instalação, esteja ela numa casa ou num edifício de escritórios.
O EIB possui uma arquitectura descentralizada. Ele define uma relação elemento - a - elemento entre os dispositivos, o que permite distribuir a inteligência entre os sensores e actuadores instalados.
Meio Físico
Apesar de no inicio se usar unicamente um cabo do tipo telefónico, designado por y(st )y 2x2x0,8, com de 2 pares de fios (só se usa um desses pares) como suporte físico das comunicações, pretendeu-se que no nível MAC (Médium Access Control) do OSI o EIB pudesse funcionar sobre os seguintes meios físicos:
- EIB.TP: Sobre o par de condutores a 9600 bps. Igualmente por estes dois fios é fornecida a alimentação a 24 Vdc para os participantes. Usa o protocolo de comunicação CSMA-CA onde são evitadas as colisões, maximizando a largura de banda disponível. Foi o primeiro meio de comunicação a ser disponibilizado e é o único a ter expressão. Todos os outros pouco mais conseguiram que algumas instalações ou aplicações de referência.
- EIB.PL: Transmite o sinal por correntes Portadoras comunicando a1200/2400 bps sobre os 230V/50Hz. Usa a modulação SFSK (Spread Frequency Shift Keying), semelhante á FSK mas com maior separação entre as portadoras. A distância máxima sem repetidor é de 600 metros.
- EIB.net: Utiliza a rede Ethernet a 10 Mbps (IEC 802-2). É usado como linha tronca entre linhas e/ou áreas do EIB, permitindo a transferência de telegramas EIB através do protocolo IP entre instalações muito afastadas. Antes este problema era resolvido utilizando modems EIB e a rede telefónica comutada.
- EIB.RF: Transmite o sinal por radio-frequência, conseguindo-se distâncias até 300 metros em campo aberto. Para maiores distâncias podem ser usados repetidores. Também para ser usado no interior das casas ou dos edifícios.
- EIB.IR: Transmite o sinal por infravermelho, até uma distância máxima de aproximadamente 12 metros. Ideal para o uso com comandos à distância em salas ou salões onde se pretende controlar os dispositivos EIB instalados e o numero destes ou as distâncias a cobrir estão dentro do limite indicado.
A EIBA é uma associação actualmente com 114 membros, empresas lideres no Mercado do material eléctrico, que se iniciou em 1990, com 15 membros apenas, para implantar o uso o sistema de instalação inteligente EIB.
A EIBA tem sede em Bruxelas e os seus membros cobrem cerca de 90% do negócio do material eléctrico na Europa. As principais áreas de actuação desta associação são:
- Estabelece as directrizes técnicas para o sistema e produtos EIB, assim como estabelecer os procedimentos de ensaio e certificação de qualidade e mandar realizar esses mesmos ensaios.
- Divulga o conhecimento e experiências das empresas que trabalham com o EIB, assim como dos novos produtos e/ou inovações.
- Única entidade a poder atribuir a marca registada EIB aos produtos e aos fabricantes seus associados.
- Colabora activamente com outros organismos europeus e internacionais em todas as fases de normalização e adaptação do EIB ás normas internacionais.
- Participa na iniciativa de "convergência" KONNEX, juntamente com o BCI (Batibus) e a EHSA (EHS).
Segundo a EIBA existem cerca de 10 milhões de dispositivos EIB instalados por todo o Mundo e umas 70.000 instalações realizadas. Dispõe de uma gama de 5.000 produtos certificados e 70.000 instaladores qualificados.
Batibus
www.batibus.com
O Batibus tem uma velocidade binária única de 4800 bps a qual é mais que suficiente para a maioria das aplicações de controlo distribuído. Utiliza um cabo blindado do tipo telefónico e admite as topologias em bus, estrela, anel ou árvore ou qualquer combinação destas. A única indicação a respeitar é não atribuir direcções físicas idênticas dois dispositivos da mesma instalação.
Protocolo
Este protocolo é totalmente aberto, isto é, o protocolo do Batibus pode ser implementado por qualquer empresa interessada em introduzi-lo nos seus produtos ou equipamentos.
A nível de acesso, este protocolo usa a técnica CSMA-CA (Carrier Sense Multiple Access with Collision Avoidance) semelhante á Ethernet, esta usa a CSMA-CD, mas evitando as colisões. Isto é, se dois dispositivos tentam aceder ao mesmo tempo ao Bus, ambos detectam que se está afim de ter uma colisão, então só aquele que tiver mais prioridade continua a transmitir, e o outro termina a transmissão retomando-a no instante seguinte. Esta técnica é praticamente a mesma do EIB e também do Bus de comunicação do sector automóvel designado por CAN (Controller Area Network).
A filosofia é que todos os dispositivos Batibus escutam tudo o que circula no bus, todos processam a informação recebida, mas só aqueles que tiverem sido programados irão filtrar o telegrama, e o enviarão á aplicação existente em cada dispositivo. A direcção física é atribuída tal como no X-10 através de micro-interruptores ou mini-teclados.
Standard
O Batibus está certificado como standard europeu pelo CENELEC.
Convergência
O Batibus Club International (BCI) está envolvido, juntamente com a EIBA e a EHSA, no projecto de "convergência" Europeu KONNEX para a criação de um único standard europeu para a automação de edifícios e casas.
EHSA ( European Home System Association )
www.ehsa.com
O EHS (European Home System) foi desenvolvido pela indústria europeia de microprocessadores, com o devido suporte da Comissão Europeia, criando uma tecnologia económica que iria permitir a implantação da domótica no mercado residencial.
O resultado foi a especificação do EHS no ano de 1992. O modelo OSI (Open Standard Interconnection) foi a topologia escolhida.
Desde o seu início ficaram envolvidos nesta tecnologia a maior parte dos fabricantes de electrodomésticos e de áudio e vídeo, empresas distribuidoras de electricidade, água e gás, as operadoras de telecomunicações, fabricantes de microprocessadores e fabricantes de equipamento eléctrico e electrónico. O conceito base foi de criar um protocolo aberto que permita cobrir as necessidades de conectividade dos produtos de todos os fabricantes, "utilities" e fornecedores de serviços.
O objectivo principal do EHS é o de cobrir as necessidades da automação da maioria das habitações europeias cujos os proprietários não se podem permitir ao uso de sistemas com maior potência mas também muito mais caros (como o EIB ou o Lonworks) devido á necessidade de mão de obra especializada para a sua instalação. Por aqui já se está a definir o campo de aplicação do EHS - a área residencial.
O EHS vem assim a cobrir, com funções e objectivos, o Mercado que tem o CEbus nos Estados Unidos da América do Norte e HBS no Japão
Meio Físico
A EHSA impulsionou o desenvolvimento de um circuito integrado (St7537HS1) que permitia transmitir dados por um canal série de modo assíncrono através da rede de baixa tensão das casas (correntes portadoras). Esta tecnologia, baseada na modulação FSK (Frequency Shift Keying), suporta a velocidade de 2400 bps e também se podem utilizar cabos de pares, do tipo telefónico, como suporte de sinal.
Actualmente, têm-se usado ou desenvolvido os seguintes meios físicos:
- PL-2400: Correntes Portadoras a 2400 bps.
- TP0: Cabo de 2 pares a 4800 bps (idêntico ao meio físico do BatiBus).
- TP1: Cabo de 2 pares/Coaxial a 9600 bps.
- TP2: Cabo de 2 pares a 64 Kbps.
- IR-1200: Infravermelho a 1200 bps.
- RF-1100: Radio-frequência a 1100 bps.
Protocolo
O protocolo é totalmente aberto, isto é, qualquer fabricante associado da EHSA pode desenvolver os seus produtos e equipamentos que implementem o EHS.
Assumindo uma filosofia Plug&Play, pretende-se dar as seguintes vantagens aos utilizadores:
- Compatibilidade total entre produtos e equipamentos EHS.
- Configuração automática dos dispositivos (Plug & Play) e fácil ampliação das instalações.
- Compartilhar o mesmo médio físico entre diferentes aplicações sem interferência entre elas.
- Cada dispositivo EHS tem associada uma única direcção física dentro da mesma rede.
KONNEX
O Konnex é uma iniciativa promovida por três associações Europeias
- EIBA (European Installation Bus Association)
- BCI (Batibus Club International)
- EHSA (European Home Systems Association)
com o objectivo de criar um único standard Europeu para a automação das casas e edifícios.
Os objectivos desta iniciativa, com o nome de "Convergência", são:
- Criar um único standard para a domótica e automação de edifícios que cubra todas as necessidades e requisitos das instalações profissionais e residenciais no âmbito europeu;
- Melhorar as prestações dos diversos meios físicos de comunicação sobretudo na tecnologia de radio-frequência, fundamental para a efectiva consolidação da domótica;
- Introduzir novos modos de funcionamento que permitam aplicar uma filosofia Plug&Play a muitos dispositivos típicos de uma casa;
- Envolver as empresas fornecedoras de serviços como as de telecomunicações e de electricidade, com o objectivo de desenvolver a telegestão nas casas;
Resumindo, partindo dos sistemas EIB, EHS e Batibus, trata-se de criar um único standard europeu que seja capaz de competir em qualidade, prestações e preços, com outros sistemas norte-americanos como o Lonworks ou CEBus.
Actualmente a associação Konnex está terminando as especificações do novo standard (versão 1.0) o qual será compatível com os produtos EIB instalados.
Pode afirmar-se que o novo standard terá o melhor do EIB, do EHS e do Batibus e que aumentará consideravelmente a oferta de produtos para o mercado residencial.
A versão 1.0 contempla três modos de funcionamento:
- S-mode (System mode): a configuração do modo sistema usa a mesma filosofia que o EIB actual, isto é, os diversos dispositivos ou modos da nova instalação, são instalados e configurados por profissionais com ajuda de um software (ETS) especialmente concebido para este propósito.
- E-mode (Easy mode): na configuração do modo simples os dispositivos são programados em fábrica para realizar uma função concreta. Mesmo assim devem ser configurados alguns detalhes no local da instalação mediante o uso de um controlador (como uma porta residencial ou uma set-top-box) ou mediante micro-interruptores alojados nos dispositivos (semelhante ao X-10 ou outros dispositivos proprietários que há no mercado).
- A-mode (Automatic mode): na configuração do modo automático, com uma filosofia Plug&Play, nem o instalador nem o utilizador final têm de configurar o dispositivo. Este modo será especialmente indicado para ser usado em electrodomésticos e equipamentos de entretenimento(consolas, set-top boxes, áudio e vídeo).
Como distinguir estes três modos?
- S-mode: Está especialmente pensado para o uso em instalações mais complexas que impliquem um elevado nível de integração e de funções a implementar como edifícios de escritórios, indústrias, hotéis, grandes moradias, etc. só os instaladores profissionais e certificados terão acesso a este tipo de material. Os dispositivos S-mode só poderão ser comprados através de distribuidores eléctricos especializados.
- E-mode: Um instalador sem formação informática ou qualquer utilizador final um pouco engenhoso, poderão adquirir dispositivos E-mode em lojas de produtos eléctricos ou de bricolage e começar a instalá-los. Só que a funcionalidade destes produtos está limitada, pois vem estabelecida de fábrica. A vantagem deste modo é que os dispositivos se configuram num instante seleccionando nos micro-interruptores as opções oferecidas mediante um pequeno manual de instruções. Para os que conheçam o X-10, de uso alargado nos EUA, sabem que os dispositivos E-mode irão funcionar com a mesma filosofia.
- A-mode: É o objectivo que têm muitos produtos informáticos e de uso quotidiano. Com a filosofia Plug&Play, o utilizador final não tem de preocupar-se em ler os complicados manuais de instalação ou perder-se num mar de referencias ou especificações. Assim que liga o dispositivo A-mode à rede este se registará nas bases de dados de todos os dispositivos activos nesse momento na instalação ou casa e colocará à disposição dos demais os seus recursos (processador, memória, entradas/saídas, etc.).
É exactamente a mesma filosofia que a da Sun Microsystems com o Jini ou a da Microsoft com o Universal Plug&Play. Este tipo de produtos vender-se-ão por todo o lado inclusive nas grandes superfícies. São os fabricantes de electrodomésticos e de equipamentos áudio e vídeo e de portas residenciais assim como os fornecedores de serviços (telecomunicações, eléctricas, ISPs), os mais interessados neste tipo de produtos e que permitirão oferecer novos serviços aos seus clientes de forma rápida e sem necessidade de complicadas instalações.
Meio Físico
Respeitante ao meio físico o novo standard poderá funcionar sobre:
- Par de condutores (TP1): aproveitando a norma EIB equivalente.
- Par de condutores (TP0): aproveitando a norma Batibus equivalente.
- Correntes portadoras (PL100): aproveitando a norma EIB equivalente.
- Correntes portadoras (PL132): aproveitando a norma EHS equivalente.
- Ethernet: aproveitando a norma EIB.net.
- Radio-frequência: aproveitando a norma EIB.RF
LonWorks
www.echelon.com
www.lonmark.com
A Echelon Corporation apresentou a tecnologia LonWorks no ano 1992 e desde então múltiplas empresas a têm vindo a usar para implementar redes de controlo distribuídas e automatizadas. Apesar de estar desenhada para cobrir todos os requisitos da maioria das aplicações de controlo, só tem tido êxito a sua implementação em edifícios adminiatrativos, hotéis e indústrias. Devido ao seu custo, os dispositivos LonWorks não têm tido grande implementação nas casas, sobretudo porque existem outras tecnologias com prestações iguais e muito mais baratas.
O êxito que o LonWorks tem tido em aplicações profissionais nas quais importa muito mais a fiabilidade e a robustez que o preço em si, deve-se a que desde a origem oferecem uma solução com arquitectura descentralizada, estremo-a-extremo, que permite distribuir a inteligência entre os sensores e os actuadores instalados e que cobre desde o nível físico até ao nível de aplicação a maioria dos projectos de redes de controlo.
Segundo a Echelon, o LonWorks é um sistema aberto a qualquer fabricante que queira usar esta tecnologia sem depender de sistemas proprietários, o que permite reduzir os custos e aumentar a flexibilidade da aplicação de controlo distribuída.
Conceitos Básicos sobre o LonWorks
Qualquer dispositivo LonWorks ,ou nodo, está baseado num microcontrolador especial chamado Neuron Chip. Tanto este circuito integrado como o firmware que implementa o protocolo LonTalk foram desenvolvidos pela Echelon no ano de 1990.
Em relação ao Neuron Chip podemos salientar:
- Tem um identificador único, o Neuron ID, que permite direccionar qualquer nodo de forma unívoca dentro de uma rede de controlo LonWorks. Este identificador, com 48 bits, é gravado na memória EEPROM durante o fabrico do circuito.
- Tem um modelo de comunicação que é independente do meio físico sobre o qual funciona, isto é, os dados podem transmitir-se sobre cabos de pares do tipo telefónico, correntes portadoras, fibra óptica, radio-frequência, infravermelhos e cabo coaxial, entre outros.
- O firmware que implementa o protocolo LonTalk, proporciona serviços de transporte e routing extremo-a-extremo. Está incluído um sistema operativo que executa e planifica a aplicação distribuída e que maneja as estruturas de dados que são comunicadas pelos nodos.
Estes circuitos comunicam entre si enviando telegramas que contêm a direcção do destinatário, informação para o routing, dados de controlo assim como os dados da aplicação do utilizador e um checklist como código detector de erros. Todas as comunicações de dados são iniciadas num Neuron Chip. Um telegrama pode ter até 229 octetos de informação para aplicação distribuída.
Os dados podem existir sob duas formas:
A mensagem explícita ou a variável de rede. As mensagens explicitas são a forma mais simples de enviar e receber dados entre duas aplicações residentes em dois Neuron Chip do mesmo segmento LonWorks. As variáveis de rede proporcionam um modelo estruturado para a troca automática de dados distribuídos num segmento LonWorks. São menos flexíveis que as mensagens explicitas mas evitam que o programador da aplicação distribuída esteja dependente dos detalhes das comunicações.
Meio Físico
O Neuron Chip proporciona uma porta específica de cinco pinos que pode ser configurada para actuar como interface de diversos transmissores-receptores de linha e funcionar a diferentes velocidades binárias. O LonWorks pode funcionar sobre RS-485 com isolamento óptico, acoplado a um cable coaxial ou de pares do tipo telefónico, sobre correntes portadoras, fibra óptica e inclusivamente radio-frequência ou infravermelho.
O transmissor-receptor é encarregado de adaptar os sinais do Neuron Chip aos níveis de que necessita cada meio físico.
Compatibilidade LonMark
A LonMark é a associação dos fabricantes que desenvolvem produtos e serviços baseados em redes de controlo LonWorks. Esta associação especifica e publica as recomendações e implementações que melhor se adaptam a cada um dos dispositivos típicos das redes de controlo. Para isso baseiam-se nos conceitos de objecto e perfil de funcionamento.
Os objectos LonMark formam as variáveis que comunicam na rede de controlo ao nível de aplicação (nível 7 do OSI). Estes objectos descrevem os formatos dos dados que comunicam nos nodos e a semântica que se usa para os relacionarmos com outros objectos da aplicação distribuída. Existem três objectos que são básicos, o actuador, o sensor e o controlador.
Os perfis funcionais detalham em profundidade o interface da aplicação distribuída com a rede LonWorks (variáveis da rede e as propriedades de configuração) e o comportamento das várias funções implementadas.
Uma vez apresentados os sistemas e protocolos de comunicação mais importantes, irei apresentar no próximo número as tendências mais relevantes que dizem respeito ao conceito de casa inteligente e as suas implicações, na vida de cada um de nós.
Publicado na Revista O Electricista, n.º 2, trimestral, Out. Nov. Dez. 2002